Eram 5 horas da manhã e simplesmente estava fazendo de tudo para não chorar, mas parecia ser impossível. Estou deixando minha família, meus amigos, meu mundo. Vou para outro continente do outro lado do Oceano Atlântico, estou indo para Inglaterra.
Eu havia falado a meus pais que, quando eu terminasse o colegial e finalmente me formasse, eu iria para universidade em outro país. Minha tia me deu o maior apoio quando soube, dizendo que iria comprar minha passagem, que me sustentaria totalmente, com a condição de que eu fosse para Inglaterra, pois lá há um dos melhores estudos de todo o mundo. Eu realmente não estava querendo ir para este país, não que ele não fosse bonito ou tivesse um ótimo ensino, mas eu estava querendo ir para Espanha, afinal eu havia feito curso de espanhol para isso, mas como ela havia dito que me sustentaria, eu disse que iria.
E agora estou eu, aqui com 17 anos, diploma nas mãos, no aeroporto internacional de fortaleza, indo para meu novo futuro, indo a um país que eu não conheço. Deixando minha família, meus amigos, em outras palavras, o meu mundo.
- Isis, ficaremos com muitas saudades, minha filha. - Meu pai estava me abraçando com muita força, ele estava fazendo de tudo para não chorar e eu também com nenhum sucesso.
- Eu também, meu pai! Mãe cuide do papai, pai, cuide da mamãe.
- Adeus minha filha querida, eu vou cuidar sim de seu pai, não se preocupe- Eu sabia que não deveria me preocupar com eles, principalmente com minha mãe, Camilla, ela é uma típica pessoa cuidadosa, totalmente responsável, eu não podia entregar meu pai, meio loquinho, brincalhão... Em melhores mãos. Minha mãe é uma pessoa que nasceu para ser mãe e esposa. – ligue-nos assim que você chegar ao hotel! Ao propósito, qual é mesmo o nome dele?
-Tudo bem mãe, eu ligo! E o nome dele é Jumeirah Carlton Tow.
- Dê-me um abraço minha queridinha da titia. Ah, eu já comprei a sua casa, só que os donos só vão lhe entregar semana que vem e não se preocupe com as despesas eu mandarei o dinheiro pra você todo final do mês.
- Não precisa tia!- Minha tia era uma dessas pessoas que pensam que todo mundo depende do dinheiro dela, principalmente eu, que estava indo para outro país, mas eu amava aquela mulher que eu tenho orgulho de chamá-la de tia.
Passageiros do vôo 17144, atenção para a ultima chamada.
- Eu acho que esta é nossa despedida definitiva. - Eu suspirei.
Apanhei minhas malas e fui para a sala de embarque. Olhei para traz e vi minha mãe com o rosto em prantos, olhos vermelhos de tanto chorar, enxugando uma lágrima que havia escapado de seus olhos. Meu pai já era um pouco mais controlado, seus olhos estavam lacrimejosos, mas não derramou nenhuma lágrima.
Quando cheguei ao avião, fui procurar meu assento, não foi difícil achá-lo. Assim que ele decolou, senti náuseas e uma dor de cabeça desgrassada! Eu sempre sentia isso quando viajava de avião. Uma vez, quando eu tinha 15 anos, estava viajando para Brasília, para a casa de minha tia, com minha prima Bianca ,além de sentir estes sintomas eu ainda senti minha cabeça se esmagando, foi meio constrangedor, de acordo com minha prima eu estava ficando meio verde, bom, mas isso já é outra historia.
- Aceita bombons? – Uma aeromoça, com roupas azul-escuro, de cabelos amarrados, maquiagem um pouco pesada para ser usada pela manhã, perguntou-me gentilmente com um vasto sorriso no rosto.
- Claro!- Era o mínimo que eu podia fazer para melhorar minhas náuseas. Peguei cinco bombons e comecei a mastigar um.
Senti-me um pouco enjoada de repente, abri a janela que estava à minha esquerda e notei que o avião estava decolando. Senti uma pontada de saudades no meu coração e um medo terrível, não do avião, mas sim de saber que daqui a 17 horas estaria em outro país longe de tudo o que eu conhecia.
Depois de 1 hora consegui dormir e tive um sonho bem estranho. No meu sonho havia um homem lindo de, mais ou menos 24 anos, pele branca, cabelos castanho dourado, olhos verdes cor de esmeralda- bem expressivos- estatura alta de uns 1.90 de altura, nem muito forte nem muito fraco. Bem, o sonho não parece estranho, nas o estranho não foi o sonho em si e sim que quando acordei eu não consegui parar de pensar nele, como se eu estivesse apaixonada por ele sem tê-lo conhecido.
Balancei a cabeça para me livrar da imagem que me atormentava.
- Que loucura- Sussurrei para mim mesma.
No almoço oferecido pela companhia aérea se poderia escolher entre peixe com arroz branco, salada com vinho branco e peito de frango com arroz branco salada de couve e tomate com vinho tinto. Eu escolhi o peixe, pois é minha comida favorita. E no jantar poderíamos escolher entre sopa de legumes com torradas ou sulco com sanduíche natural ou, simplesmente, iogurte natural com torradas, claro que escolhi o sanduíche natural com sulco, pois detesto sopa de legumes e iogurte natural, e para sobremesa um saboroso café tipicamente brasileiro.
Dezessete horas se passaram e finalmente cheguei à Inglaterra. Fui fazer o cheque in e fui pedir informação de onde pegar um taxi. Peguei-o que este me levou direto ao hotel em que eu estava hospedada.
Assim que cheguei, fui direto a recepção confirmar minha reserva.
- Qual o nome que foi feita a reserva?- Perguntou uma mulher, em inglês, magra, farda branca, olhos escuros, com aparência cansada, algumas olheiras sobre seus olhos.
- Isis Abreu Barros.
- Um momentinho que eu vou confirmar sua reserva.
- Ok!
A recepcionista olhou o computador e confirmou.
- Quarto 230.
- Muito obrigada.
- A camareira levara suas malas para o quarto, lá a senhora vai encontrar uma folha que vai estar no seu frigobar, ela diz quando o café-da-manhã será servido, a hora do almoço e do jantar. Tenha uma ótima noite. - Ela estendeu a mão com um cartão, que era minha chave.
Peguei-a e fui procurar meu quarto, acompanhada pela camareira e minhas bagagens.
- Seu quarto é este, senhora. - Informou-me ela, apontando para uma porta cor de mogno com um número 230 em aço.
Dei uma gorjeta de dez dólares para ela e a camareira se foi. Fui ver meu quarto. Ele era enorme, tinha uma pequena salinha com dois sofás cor de marfim, entre os sofás havia uma mesinha pequena e baixa de vidro, o banheiro tinha uma toalha de banho e outra de rosto brancas com o nome do hotel, a água da torneira era morna, no Box havia uma chuveiro e uma banheira, o piso era de madeira juntamente com as paredes, era um lugar bem relaxante, na pia havia xampu, condicionador, sabonete liquido e sais de banho. A cama era de casal, enorme, ao lado dela se encontrava o frigobar com o papel que a recepcionista havia informado. Resolvi ler os regulamentos depois que eu ligasse para minha família.
Olhei para o relógio e ele marcava 10 e meia hora da noite, como o meridiano de Greenwich ficava bem na Inglaterra vi que em Fortaleza deveria ser mais ou menos umas seis e meia da noite, pois eram 3 horas de diferença.
- Eles devem estar jantando. - Falei comigo mesmo. Peguei o telefone e liguei p eles. Alguém atendeu.
-Alô!
-Alô! É Isis. Quem fala?
-Isis?! Claudio é a Isis! Como você esta, meu amor? Fez boa viajem? Como é seu quarto? A Inglaterra é bonita? Você viu o Big Bang? E aquela roda gigante?
- Mãe, a que pergunta você quer que eu responda primeiro?- Típico de minha mãe fazer tentas perguntas.
-Todas é claro!
-Qual era mesmo a primeira pergunta? Eu pensei comigo mesma.
- Primeiro, eu estou bem, a viajem foi ótima- Menti. - meu quarto é um sonho, o banheiro então nem as fala, a Inglaterra é linda, bom, pelo menos até onde eu pude ver, e não, eu não vi ainda a roda gigante e nem o Big Bang. E como você esta mãe?
-Eu estou bem. Só com uma enorme saudade de você.- E o papai, como ele esta?
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